Bruna Bertoni da Lapso

Bruna Bertoni da Lapso

A Artista em Pauta, Bruna Bertoni, designer e idealizadora da marca Lapso,  apresenta experiências coloridas através do tingimento natural e arte em tintas naturais. Seu trabalho é sensível, de respeito ao tempo e suas transformações. Conheça um pouco mais sobre a Bruna, suas tecnicas de produção das tintas e suas coleções que vão desde quadros e pinturas à peças de vestuários.

 

Conte um pouco sobre você
Sou de Itatiba, interior de São Paulo, onde atualmente moro e tenho um ateliê. Morei em Juiz de Fora estudando Artes e Design e fiz um período em Évora, Portugal. Assim que voltei do intercâmbio tomei a decisão de ter minha marca de produtos têxteis artesanais para decoração, e este foi meu projeto final do curso de Design – criar conexões criativas entre técnicas no design de superfície têxtil. Assim surgiu a Lapso, em 2019! Desde então foi tomando diferentes formas e cores, principalmente quando descobri e me aprofundei no tingimento natural. E aí a proposta foi ampliada para peças vestíveis, como pareôs e echarpes. Depois vieram as tintas e pinturas.

 

Fotografia: acervo Lapso

Como você entrou no universo manual? 
O universo têxtil é onde me sinto parte desde sempre. Essa ligação se deu através da minha mãe – ela empreendeu em diversos momentos: com uma pequena confecção, uma tecelagem, assessoria em moda e estamparia… Além de ter trabalhado nas principais empresas têxteis do país em desenvolvimento de produto. Com esse incentivo, desde muito nova me interessei por design de estamparia e inicialmente tive uma maior proximidade com a estamparia digital. Anos depois, quando me formei, decidi resgatar o fazer manual e me apaixonei pela beleza dos processos de tingimento natural e o fazer de tintas naturais.

 

Qual é o seu processo de criação?
A criação acontece de uma maneira bastante fluída. Em geral, quando faço tintas através de matérias-primas naturais sinto uma conexão forte com a trajetória. Por exemplo, colher as romãs, cortar, e separar as cascas, imergir em água, ferver, coar, e aí separar o pigmento, misturar com a goma e trabalhar essa tinta. É um contato íntimo com a cor, cheiro e textura, uma experiência sempre única e sensível. Sinto que ocorre um transbordamento de ideias que vão para o papel ou tecido através da pintura. Eventualmente anoto conceitos e faço rabiscos que revisito mais tarde para experimentar diferentes formas de expressão.

 

Fotografia: acervo Lapso

Fotografia: acervo Lapso

Fotografia: acervo Lapso

Fotografia: acervo Lapso

 

Conte um pouco sobre as suas referências e inspirações?
Acompanho a trajetória de muitas mulheres tintureiras (alguns tintureiros também!) e artistas têxteis. Tive o prazer de construir relações com várias delas que moram no Brasil e essas trocas, vivências e as viagens resultantes têm sido de extremo valor pessoal e profissional. Algumas delas são: Vivi Gevaerd, Olivia Pedroni, Ingra Maia,  Roberta Kremer,  Kiri Miyazaki,  Juliana Alain,  Barbara Sicuro,  Olivia,  Marina Caxo,  Diogo Chicatto, Raquel de Andrade Outras referências fortes no Brasil na área principalmente de tingimento natural, impressão botânica e artistas que usam tintas naturais são: (dentre muitas outras) Maibe Maroccolo,  Marina Stuginski, Isadora Roubini, Tati PoloNatalia Seeger,  Marcela da Terra, Sofia Seda,  As Tintureiras, Leka Oliveira, Eber Lopes,  Nara Guichon, Marion Rupp, Vanessa Tomazeli e Raquel Marchi. Tenho também outros nomes e referências internacionais, mas aqui preferi enfatizar o trabalho nacional que vem sido construído de uma forma bastante coletiva e que vale muito a pena conferir!

 

Qual é o seu compromisso e suas práticas sustentáveis no momento?
Trabalho com matérias-primas naturais em sua maioria coletadas por mim ou adquiridas de produtores certificados. Nos processos de tingimento procuro utilizar água captada da chuva e reaproveitar quando possível. Costumo aproveitar o pigmento restante nos banhos de corante para fazer tintas e uso tecido residual da indústria têxtil – eles são pintados ou tingidos e se transformam em pareôs, echarpes, capas para almofadas… Recentemente tive a honra de participar do projeto Nhang Awete – Alma Azul da Vivi, uma grande amiga. As obras do projeto foram leiloadas e o valor arrecadado foi doado para a ONG Route Brasil e será usado em causas ambientais.

 

Fotografia: acervo Lapso

Quais são os maiores desafios?
O processo de criação, atelier, e a rotina administrativa do negócio.. Sem dúvida manter uma rotina! O trabalho é muito dinâmico e diversificado quando temos uma pequena marca. Para mim o, mais difícil é manter uma organização financeira e ter uma frequência constante nas redes sociais.

 

Você possui algum projeto a médio/longo prazo que possa nos adiantar?
Vários! Já adianto que ideia não falta hahaha! Em breve teremos a disponibilização de um material virtual de tingimento natural em parceria com outras duas amigas. Também estou preparando uma vivência em processos criativos orgânicos, onde serão trabalhadas diversas técnicas de pintura e estamparia com matérias-primas naturais de uma forma muito espontânea e intimista na qual buscaremos fomentar a curiosidade e o despertar de cada um(a). Além disso logo mais teremos collabs bem legais, e um super lançamento que participei com produtos têxteis e pinturas na construção de um cenário para um projeto audiovisual incrível!

 

Você leva arte para dentro da casa das pessoas. Como você é isso para você?
A arte é fundamental, é necessária. Para mim, ser artista é materializar o intangível, abrir caminhos entre o consciente e o inconsciente, alimentar conversas em uma sala pela simples presença de uma obra. É o que me motiva e me move. É uma eterna busca que tenho colecionando expressões abstratas nas cores naturais e um grande encontro quando este olhar vai além dos meus olhos e toca os de quem observa.

 

Fotografia: acervo Lapso

 

Veja mais o trabalho da Bruna Bertoni através do site e instagram 

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