Juna

Juna

A Artista em Pauta, Juna, ressigfica as memórias criativas infantis: desenhos, traços, cores, formas ganham vida numa nova obra a partir da técnica mista, amor e magia como ela gosta de chamar. Ela transforma essas memórias das crianças de engavetados e escondidos para pendurados na parede com uma nova expressão, eternizada e visíveis.

 

Conte um pouco sobre você
Prazer, sou Juna, mãe da Lara, apaixonada pela vida e suas relações, pela natureza, artes e universo infantil. Minha formação oficial é gestão, design e inovação e trabalhei durante quase 15 anos no corporativo com projetos de inovação. Mas a maternidade aflorou em mim um lado mais sensível e criativo que estava adormecido. Me descobri “artista” há alguns anos só com o nascimento da minha filha, Lara. Ela despertou em mim a artista que sou hoje, pois foi durante sua evolução e crescimento que fui mergulhando no universo infantil e descobrindo a pureza, beleza, e magia da expressão criativa infantil. Ela despertou em mim esse olhar, essa inconformidade de ver essa arte maravilhosa dos desenhos infantis guardados na gaveta e armário e que de alguma forma precisava expor mais ao mundo. Pois todos os pais/mães têm o mesmo desafio, possuem uma quantidade enorme de artes e desenhos de seus filhos e não sabem o que fazer com isso. Os desenhos, artes e rabiscos infantis registram toda a memória afetiva e energia criativa daquela criança, a forma como ela expressa suas emoções, sentires, compreensão e percepção da realidade, imaginação e histórias. Estamos esquecendo num armário a expressão criativa da fase mais importante do desenvolvimento de um indivíduo. Está invisível, se degradando, quando não é jogada no lixo. Qual o sentido de abrir mão, esquecer, se desfazer desse tesouro afetivo, imagético, artístico da essência daquele ser? Estamos, de certa forma, ao esquecer a memória criativa da criança dentro de um armário, apagando a sua identidade. É esse resgate que me move como artista. Assim nasceu a minha inspiração para me expressar artisticamente. Brinco que dou asas à arte das crianças, libertando-as das gavetas e caixas, transformando traços, cores, formas e personagens numa nova história – numa nova obra. Então a minha poética transita pela imaginação, pureza e magia do universo infantil relacionando e compondo toda uma teia de significados da memória criativo-afetiva da criança, expressa por meio de colagens, desenhos, garatujas, grafismos, etc.

 

Como você entrou nesse universo artístico?
Expliquei um pouco acima a minha inspiração de como surgiu. E no primeiro quadro que fiz com os desenhos e artes da minha filha, eu pensei, que todos os pais tinham esse desafio e que seria maravilhoso poder eternizar essas artes num novo formato. Primeiro eu comecei a fazer obras com os desenhos da minha filha e depois estendi para outras crianças. Fiquei durante 2 anos trabalhando em paralelo com a empresa e em início de 2019 larguei meu emprego formal para me dedicar só as artes.

 

Fotografia: Acervo Juna

Qual é o processo de criação das suas peças?
Tudo começa quando uma determinada família entra em contato comigo para criar obras com os desenhos dos seus filhos ou até mesmo seus próprios desenhos (guardados há mais de 30 anos!). A partir daquele momento já começa a nossa relação com o universo dos desenhos: colho histórias, expectativas, emoções que emergem das artes guardadas por anos no armário. Eles chegam em caixas, pastas, muitas vezes meio bagunçados e desorganizados. Começo então a fase de descoberta, onde categorizo os diferentes tipos de desenhos e seleciono os que mais me chamam atenção. É um processo muito intuitivo, não há regras, nem formatos pré-estabelecidos. Gosto de sentir o que emerge da expressão criativa daquela criança ao visualizar todos os seus desenhos. Depois de escolha começa a fase de intervenção criativa com técnica mista. Cada desenho me chama para uma determinada criação e técnica, seja de recorte, colagem, pintura. Faço a obra, finalizo e emolduro. Faço uma carta que escrevo pra criança e seu futuro adulto. É uma carta secreta que vai atras da obra, onde honro suas criações, agradeço e incentivo para que ela nunca perca sua alma infantil. E o resultado é maravilhoso, pois eles se transformam de engavetados e escondidos para pendurados com uma nova expressão, eternizado e visíveis.

 

Fotografia: Acervo Juna

Quais são as suas referências e inspirações?
A principal motivação para minha arte é a expressão infantil e a potência do “ser criança”, pois ela é pura beleza, pureza, liberdade, criatividade, espontaneidade, imaginação, ou seja, esse universo mágico infantil. Acho a arte infantil maravilhosa e fico inconformada dela ficar “escondida”. Pois todos os pais/mães fazem a mesma coisa: recebem aquelas pastas com os tesouros das escolas e não sabem o que fazer com tanto desenho. Acabam guardando dentro de uma caixa até que decidem jogar fora ou continuar guardando sem destino. A Lara então foi a minha grande inspiração. Agora a inspiração vem na minha relação comigo, com o outro e com o todo. É a minha “conexão espiritual” com o todo, com o cosmos, que me faz ver a beleza no quotidiano da vida. Já dizia o poeta espanhol Ramón de Campoamor “a beleza está nos olhos de quem vê”. Eu me inspiro e vejo beleza em quase tudo: seja num céu de final de tarde desenhado com as nuvens, na delicadeza e perfeição de uma rosa vermelha, no aconchego e cheiro de um abraço na minha filha. Estar mais consciente do viver no “aqui e agora” me abriu um campo sensorial e espiritual que não tinha desenvolvido. Vc encontra a sacralidade em tudo nesse viver. A música também tem um papel fundamental de conexão com minhas emoções e meu olhar no processo criativo. E claro, não fujo também do pacote básico de conhecer outros artistas e seus processos criativos, exposições, se conectar com a natureza, viajar, são outras formas de inspiração importantes pra mim.

 

Fotografia: Acervo Juna

Qual é o seu compromisso e suas práticas sustentáveis no momento?
Acho que dentro do meu trabalho/arte o que consigo visualizar de sustentável é a questão de resgate e ressignificação de desenhos e artes que muitas vezes os pais e mães jogam no lixo e que com a minha arte são transformados em uma nova história. Mas acho que a indústria de molduraria tem um desafio grande pela frente com os plásticos bolhas por exemplo e as madeiras, que poderiam ser certificadas. Mas pra mim a sustentabilidade é mais desenvolvida no meu dia a dia, no consumo mais sustentável e nas escolhas como reciclagem e reuso de materiais.

 

Quais são os maiores desafios para você?
Acredito que um dos maiores desafios para mim, que estou numa fase inicial de empreender, onde sou a responsável por tudo, é vc conseguir conciliar todas as atividades. Afinal fazer a arte é somente uma parte da história, tem toda uma teia de atividades como fazer o marketing, atendimento a cliente, parcerias, financeiro, logística, sem contar com as atividades do lar e da maternidade. E vivemos numa sociedade que nos cobra muita produtividade e entrega. Ainda mais eu que vim do mundo corporativo, preciso criar novas rotinas, novas métricas e novos processos de trabalho, que contemplem tudo isso e ainda o processo criativo, que precisa de respiro e espaço vazio. Pois o processo criativo de criar uma nova arte, é muito diferente por exemplo de fazer algo repetitivo e padronizado.

 

Você possui  algum projeto que possa nos adiantar?
A arte pra mim é sempre processo. Então não tem um projeto específico em mente, mas estou sempre em processo, sempre estudando, experimentando, praticando, descobrindo novas técnicas, formas, traços e cores. A arte está sempre evoluindo. Para mim esse universo infantil é um terreno muito fértil onde há muitas oportunidades para serem descobertas e desenvolvidas.

 

Fotografia: Acervo Juna

 

Você leva arte para dentro da casa das pessoas. Como você é isso para você?
Acho que as melhores palavras que resumem o que sinto quando vejo um pedacinho de mim na casa das famílias é gratidão e realização. Ver que aquele desenho daquela criança que estava guardado invisível dentro do armário está agora alí pendurada na parede, ressignificada, relembrando a criança da sua potência criativa, é o que me deixa mais feliz. Fico imaginando elas crescendo e olhando, uma vez adultas, a obra com seus desenhos infantis, pra mim, isso não tem preço. Tem uma carta que escrevo pra ela e coloco na obra atras e digo pra ela ler quando fizer 21 anos. Pois escrevo mais para o futuro adulto que aquela criança vai ser. É uma carta para honrar, para reverenciar e incentivar para que ela nunca perca a sua potencia criativa. Sinto que nós, adultos, precisamos nos conectar mais com a nossa essência. No processo de adultização vamos incorporando camadas e mais camadas e perdendo essa conexão. E ela mora na criança que um dia fomos. Minha arte vem para resgatar e reverenciar esse – estado de ser criança – com toda a sua beleza, liberdade, curiosidade, imaginação, espontaneidade e pureza. É uma forma de recuperar e ressignificar de forma simbólica e imagética toda a essência daquele indivíduo. Para que ele, quando cresça, sempre se lembre de quem era na origem.

 

 

 

Fotografia: Acervo Juna

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Conheça mais o trabalho da Juna através do Instagram

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