Karen Dolorez

Karen Dolorez

A artista têxtil, Karen Dolorez, encontrou a arte como forma de expressar seus sentimentos e pensamentos. Ela resgata a mulher tecelã na história, suas obras contemporâneas envolvem ocupação de espaço públicos, questões sociais, de gênero e pessoais. Seus trabalhos também proporcionam experiências sensoriais ao público, por meio das texturas e do toque. Confira!

“Paralelos da desconstrução”, 2016. “Ele fez parte da exposição Contra Golpe na galeria sinlogo em 2016. Épocas de intensas manifestações no brasil e em sp principalmente, onde máscaras de gás eram necessárias nas ruas pra combater as bombas de gás lacrimogênio jogadas pelos policiais. O tempo passa, as manifestações não mais tão intensas, a gnt cansa e parece que nada muda”.

 

Karen: Iniciei o crochê com a minha mãe quando pequena em Bauru, interior de São Paulo. E assim foi a minha infância e adolescência, sempre em contato com a arte manual. Quando me mudei para São Paulo capital, deixei de fazer crochê por um período, trabalhei como produtora de design editorial e logo senti a necessidade de resgatar o que fazia parte da minha essência, em paralelo comecei a pesquisar sobre o movimento da arte têxtil e urbana no Brasil e no mundo. Nesse momento também fui percebendo que o movimento slow vazia muito sentido para o estilo de vida que eu desejava, então os meus processos de pesquisas foram seguindo nesta direção.

“Vulvinha”  2020.

Desde o início abordei o universo feminino, nossa ocupação do espaço no mundo, como encontramos nossos lugares de fala e de posicionamento, naturalmente as pessoas foram se identificando e entrando em contato comigo, principalmente através das intervenções nas ruas.

“Visceral” 2015

Acredito que o crochê carrega uma memoria afetiva muito forte e em contrapartida o meu trabalho vêm fora do tradicional para o crochê, ninguém estava acostumado a ver orgãos do corpo feitos do crochê e isso acabou trazendo uma potência, não só estética, mas também porque todas as obras estão ligadas a algum contexto, seja ele político, cultural ou gênero por exemplo.

“ceci n’est pas une artisanat”

O obra “ceci n’est pas une artinsanat” com referência do Magritte já teve uma primeira versão no passado, mas quando fui convidada a participar de uma exposição, dessas que não aconteceram por conta da pandemia, decidi trazer uma releitura com novos pontos e em tela. Essa obra traz o questionamento da relação de lugar que temos com o artesanato e a arte, suas nuances, por que uma vale mais e outra vale menos?

“Girl Gathering”, 2018

“É uma relação interna onde o papel da mulher na arte contemporânea dialoga com a mulher da história, ambas utilizando o ato de tecer como forma de expressão e militância.” Karen Dolorez

“Nossos sonhos resistem” 2020 Instalação tridimensional em crochê #outubrorosa

 

Performance “Tempo”, Sesc 2019.

O trabalho consistia em remendar o coração com fios que saiam da minha própria pele, representada pela roupa que me vestia. Os fios que vinham da peça fixada estavam ligados a pontos específicos do corpo, ao passo que, cada vez que a roupa se desfazia, esses fios se soltavam, dando lugar de liberação à esses pontos. Uma troca de uma peça para outra, quase que num movimento circular, de ciclos se fazendo e refazendo.❤️

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Conheça mais o trabalho da Dolorez através do Instagram e site.

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